segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Coca-Cola did it again

Vi o anúncio pela primeira vez no dia de Natal. Já tinha visto várias pessoas a pô-lo no facebook, mas não me despertou curiosidade. Na televisão, sim. Prendeu-me o olhar e o interesse. E fiquei até ao fim a pensar "Isto é de quem?". No fim, quando apareceu a Coca-Cola pensei automaticamente "Só podia". Não por ter um grande carinho ao produto e marca em si, mas porque sou fã da sua comunicação, desde que me lembro. Fazem um trabalho espectacular, as campanhas prendem sempre a atenção, dão conforto, despertam sorrisos. E esta não é diferente. É ainda melhor. É positiva, optimista, feliz, esperançosa. Atributos que a todos nos fazem um bocadinho de falta neste momento.

Por graça, hoje cheguei ao trabalho e falaram-me logo nela. "Liga para a agência de comunicação, pede informações, isto e aquilo e etc e tal". E assim o fiz. Porque quando algo nos toca, é mais fácil trabalhar sobre o mesmo.


Foi a agência IVITY que a adaptou para Portugal. Filmou-se no Jardim das Necessidades, em Lisboa, e as vozes são do Coro Santo Amaro de Oeiras.


Deixo aqui o vídeo.









sábado, 24 de dezembro de 2011

domingo, 13 de novembro de 2011

Hello Switzerland

Em meados de Outubro fui em reportagem para a Suiça.

Cansativo, trabalhoso, stressante...mas tão giro. Chegámos lá de noite e tínhamos à nossa espera um senhor com uma plaquinha com os nossos nomes...daquelas coisas que eu via em filmes, mas nunca tinha vivido. Levou-nos até ao destino, a uma hora de distância. Imaginem depois de um dia de trabalho, horas à espera no aeroporto porque o voo atrasou, ainda ter que fazer uma viagenzinha de carro. Nem dormir consegui porque eles iam os dois, o motorista e o meu reporter de imagem, a falar alegremente de tudo e mais alguma coisa. Chegámos ao hotel, 5 estrelas, no cimo de um vale lindíssimo, o quarto digno de uma revista de decoração...toda eu me sentia uma princesa, mas estava tão cansada que caí na cama. No dia seguinte, toca a levantar às 7h da manhã para um pequeno-almoço de trabalho!!!! (só queria comer descansada....)
Vale de Wollerau (perto de Zurique)

O dia foi todo passado na fábrica e escritórios da empresa, uma marca de joias, muito conhecida na Suiça. Sempre gostei de ir a fábricas, aos sítios onde é feita a produção. Adoro ver todos os passos pelos quais os produtos têm que passar até chegar ao destino final. Já fui a várias fábricas, mas uma de joias é diferente...tem outro encanto. Para começar é mais limpinha que qualquer outra que seja de comida... E depois é um sítio com magia, com classe... Com etapas muito pormenorizadas, com um trabalho feito à mão muito minucioso e perfeitinho. A parte do design, dos desenhos nos próprios anéis, de cravar os diamantes, do polimento... Adorei. E adorei conhecer a filosofia de uma empresa, em que os patrões almoçam à mesa com os empregados, em que todos se tratam pelo nome, em que há um sorriso na cara de toda a gente, um ambiente de trabalho invejável que se sente mesmo só estando lá um dia. Tudo sob um edificio auto-sustentável, que absorve o calor no verão para usar no inverno e vice-versa, e que não gasta dinheiro e recursos em óleo ou electricidade ou ar condicionado. Acho espectacular.

No dia seguinte visitámos outra cidade, Luzern, para ir filmar a loja da marca. Uma cidade romântica. Muito suíça. Muito típica. Estivemos menos tempo do que eu gostaria, porque tínhamos que voltar para Portugal nesse dia. (mais uma horas de atraso no voo para ajudar)


Trouxemos chocolates suíços para casa (ainda acabei com uns lá) e posso por mais um país na minha lista de viagens. Não conheci tanto como gostaria, mas deu para conhecer um bocadinho.

Agora, já estou à espera da próxima viagem.

SB

sábado, 12 de novembro de 2011

“Sem subsídios?!”. Sobrevive-se

Hoje não vou falar de nenhuma experiência profissional, não vou contar nenhuma história sobre uma entrevista ou reportagem que tenha feito, não vou falar do bem que me sabe ter esta profissão e da sorte que tenho em fazer aquilo que sempre escolhi.
São tudo verdades, mas hoje apetece-me falar para aqueles que choram os subsídios de Natal e de Férias que vão perder como consequência das medidas orçamentais impostas pelo novo Governo.
Primeiro que tudo, quero deixar bem claro que as próximas linhas que escrevo não têm absolutamente nenhuma tónica partidária.
Bem, não se fala de outra coisa no último mês. Apesar das duras medidas de austeridade que nós vamos ter de enfrentar nos próximos anos – e quando digo “nós”, refiro-me mesmo a nós jovens, que iniciam agora carreira, que ambicionam uma vida independente fora da alçada dos pais e os mais afetados no meio deste caos todo – as palavras de maior revolta vão dos que perderam os subsídios de Férias e de Natal.
Lá vão estes contratados a ganhar mais de mil euros ficar sem o ordenado extra que lhes permite gastar 600 euros em presentes de Natal ou ter de deixar de ir para o Algarve 3 semanas e ficar só uma.
Trabalho há dois anos a recibos verdes. Subsídio de Natal? Nunca tive. Subsídio de Férias? Tão pouco.
Estive mais de um ano a ganhar à peça. Admito que não ganhava mal mas, em agosto, à falta de trabalho, juntava-se a falta de dinheiro. Não só não tinha subsídio de Natal como nem sequer ganhava ordenado nesse mês e… sobrevivi, à custa de viver em casa dos meus pais e de não ter contas para pagar e de sempre me ter preocupado em juntar algum dinheiro que me permitia pôr gasolina no carro e poder jantar fora com amigos algumas vezes.
Hoje estou com outro vínculo, mas contínuo sem conhecer os tais tão valiosos subsídios.
Sou uma das que pertence, não à geração “à rasca” - tenho conseguido “desenrrascar-me” e acho que há quem esteja bem mais “à rasca” que eu – mas à geração “precária”.
Compreendo que estejam muito revoltados com esta medida [digo-o sem ponta ironia], mas se tivessem um ordenado mais baixo, como eu, sem vínculo de segurança ao local de trabalho e a poder ser despedida assim que aos superiores lhes der na veneta, como eu, a ver o salário diminuir por ter de pagar Segurança Social, IVA e descontar IRS, como eu, talvez pensassem que não vale a pena chorar.
Não tenho filhos, colégios para pagar, prestação de casa ou carro, é verdade, mas por este andar, com os bloqueios de futuro que aparecem sem mais nem porquês, também não hei-de ter tão cedo. Afeta a uns de uma forma, a outros de outra. É a vida.
No fundo, quero com tudo isto dizer que até compreendo que esse bónus de dezembro e de agosto vos dê muito jeito e seja muito bom, mas, acreditem, sei do que falo, sobrevive-se sem ele.

MDM

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Rendi-me (por obrigação)

Hoje escrevi, pela primeira vez, um artigo com o novo acordo ortográfico. Sempre disse que ia lutar contra esse bicho papão da língua portuguesa até quando fosse possível. Chegou a hora de o deixar atacar a minha escrita. Secalhar em qualquer outra profissão poderia continuar alegremente a fazer-lhe frente. Em jornalismo, não. É obrigatório mudar. É obrigatório reaprender a escrever. E a tentar não dar erros.
Já tinha aqui mostrado o meu desagrado com esta situação, quando recebi a notícia que a partir de Outubro, adoptávamos o acordo por estas bandas. E chegou o dia. Hoje tive que escrever um artigo para o nosso site (felizmente as peças e reportagens, como são uma coisa interna, escrevo como bem me apetecer) e pimbas...dei por mim a olhar para o texto e a achar feiinho activação, actual e objectivo sem "c", Outubro com letra minúscula, e outras tantas palavras que agora me parecem sempre "abrasileiradas". Como não tenho paciência (confesso) para ler o livrinho que aqui temos com todas as regras deste novo acordo, achei maravilhosa uma dica que uma colega aqui me deu. Um site: www.flip.pt, que faz conversão ou correcção dos textos que escreverem para o novo acordo. É mais ou menos um google translator. Porque ao fim ao cabo, é quase como uma língua estrangeira. Tem que se ir aprendendo aos poucos até estar tudo interiorizado e já não nos parecer confuso. 


SB

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Adoro a sensação

De uma peça acabadinha de escrever. Quando pomos o ponto final. Quando respiramos de alívio por estar terminada, escrita, editada e prontinha para seguir para a sala de edição de imagem. Fresquinha, fresquinha.
É alívio porque há prazos, há editores, há horas, há pressões.
Mas é também uma sensação de dever cumprido (e sempre com um bocadinho de orgulho à mistura).


E agora vou dar-lhe vida, cor e som. Uma noite divertida, portanto.


SB

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

180º

Enquanto o final do dia se aproximava e eu tentava desesperadamente concluir um artigo, ouvi pela janela da redacção uns gritos vindos da rua. Bem, não eram bem gritos mas sim um entoar de marchas de incentivo ou algo que se pareça minimamente com isso. Enquanto uma colega minha imediatamente perguntou "Mas quê? Hoje há bola?" (podia facilmente responder-lhe que não, o glorioso só joga amanhã), outra das minhas colegas apresou-se a responder "Não, são praxes!". E clic! Praxes... Durante uma mão cheia de anos que o final do mês de setembro/inicio do outubro era sinónimo de praxes, diversão, convívio com os amigos e por ai em diante. Lembro-me de os meus pais nem entenderem muito bem o porquê de eu ficar tão feliz quando as férias de verão terminavam e as aulas da faculdade começavam. Isto, claro está, até se aperceberem que eu conseguia chegar mais cedo a casa em alguns dias de férias do que nas semanas das praxes, mega festa, festa do caloiro e por ai em diante.. Confesso que por razões pessoais ainda tenho uma maior nostalgia por esta época. Conheci muita gente, ri muito, chorei como choramos todos por parvoice quando bebemos demais da conta, dançei, brinquei e até me apaixonei...Diverti-me muito no meu ano de caloira, no ano seguinte ainda me diverti mais quando fiz parte da organização, e nos anos seguintes olhei sempre para estes dias como tardes e noites de boa disposição. Nunca fui muito de praxar, aliás não tenho nada contra brincadeiras mas não posso deixar de dizer que, infelizmente para mim, vi a minha faculdade tornar-se muito mais vulgar no que toca às praxes à medida que os anos passavam. E claro está, não sei quantas vezes disse a frase cliché "Isto no meu tempo não era assim!". Não me interpretem mal, já o ano passado acho que não passei pela faculdade por esta altura, mas o sentimento era muito diferente - eu não QUERIA ir, eram águas passadas, já não conhecia quase ninguém do meu tempo. Este ano é diferente - eu não POSSO ir. Não que o queira, estou muito feliz como a jornalista de 23 anos que sou, com o meu trabalho a tempo inteiro e com a minha vida bem mais calminha. Mas uma coisa não posso negar - ao ouvir estes gritos vindos da rua, toda esta diversão de quem está a começar uma das melhores fases da vida, não consigo deixar de sentir um friozinho na barriga, questionar-me como tudo passou tão depressa e desejar como nunca que alguém me pinte a cara com batom...

C. 
 

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

E quando...

...há entrevistas ainda mal nasceu o dia?

É o drama, o horror, o sofrimento! Mas o entrevistado não pode mais tarde, tem mesmo que ser a essa hora, nós não podemos no dia seguinte... Pronto, fica marcado para as 8h. Como não moro, nem trabalho no centro de Lisboa, o Parque Eduardo VII traz ainda mais drama à história, porque todos sabemos como é o trânsito matinal em todos os acessos à capital. Chegámos, 15 minutos atrasados, mas chegámos. A entrevista correu bem, sem interrupções, enganos, demoras ou chatices.

Dizem que acordar cedo faz render mais o dia. E faz, sim senhor. E eu acordo cedo. Mas ainda é Verão e acordar quando ainda é de noite lá fora, faz-me espécie...o que é que se há de fazer?


Compensou ir tomar o pequeno-almoço ao Careca, um dos cafés mais conhecidos de Lisboa, com os melhores croissants do mundo.


SB

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Acordo Ortográfico - parte II

Podem não gostar do que vou dizer e eu própria também não acreditava que algum dia estas palavras saíssem da minha boca mas o acordo não é assim tão mau. Se há erros? Sim, muitos! Se há coisas que não fazem sentido nenhum? Também. Mas há outras a que tive que me render. Por mais que ótimo escrito desta forma não me faça sentido, hoje em dia acredito que faz sentido aproximar a grafia à fonética para que os miúdos que, verdade seja dita, estão cada vez mais burrinhos, não tenham as mesmas dificuldades que nós tivemos em aprender palavras. Se me dá raiva? Muita! Podiam-nos ter poupado alguns anos de sofrimento, mas é a vida! Mas lá que o acordo tem coisas estranhas lá isso tem...


O que me faz mais caso é o facto do cor-de-rosa levar os hífens e todas as outras cores não. Digam-me senhores o que é que o cor-de-rosa é a mais que o cor-de-laranja (ou cor de laranja) e o cor-de-vinho e o amarelo-mostarda e o verde-garrafa??? Sinceramente!!!


P.S.

September Issue

Para quem trabalha em moda sabe que o mês de Setembro é mesmo o mais complicado: são as novas tendências, são as vindas das férias com todo o gás, preparação para a ModaLisboa e Portugal Fashion and so on...


E por isso este mês não podia andar mais amalucada da minha cabeça! Hoje fui a uma apresentação da Forté Pharma: Hotel Altis Belém, com pequeno almoço (já não comia tão bem de manhã desde que tinha 4 meses). Mostraram dois novos produtos, um para cortar as calorias e outro para dar energia. Eu que normalmente iria agarrar-me com todas as forças ao das calorias (sim, estou sempre a precisar de tirar um bocadinho de barriga ou qualquer outra coisa), atirei-me ao da energia agora mesmo. Eles chamam aquilo um shot enérgico e eu depois do almoço achei que era mesmo isso que tinha de fazer, tendo em conta que estou quase a babar pra cima do pc de tanto sono que tenho.
Eu acho que precisava era de um shot enérgico no trabalho! Será que está na altura de mudar de vida? Tenho-me questionado muito nos últimos tempos!!!


Será que o melhor é a estabilidade ou a aventura? Começo a achar que se opto pelo caminho da estabilidade vou andar a shot's de energia da Forté Pharma todos os dias, quando antes essa energia simplesmente vinha de mim mesma!!!!


Será que isto é apenas uma fase? Será o stress do mês de Setembro? Será uma insatisfação que nos é intrínseca? Ando baralhada entre duas músicas do grande António Variações que acho que definem um pouco a minha indecisão do momento!


'Estou além' ou 'Muda de vida'!


Será que sonhar mais alto é bom ou acaba por atrapalhar?!



P.S.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Podiam ter dito...

...quão chato é transcrever entrevistas.

Não há semana que não o faça VÁRIAS vezes. É muito giro fazer entrevistas, é sim senhor. É muito giro depois ouvi-las com atenção e escolher as partes mais interessantes para irem para o ar, é sim senhor. Mas entre uma coisa e outra temos que transcrever o que os senhores e as senhoras dizem. Porque temos. Porque ajuda quando estivermos a escrever o texto. Porque é regra. Porque facilita. Porque tem que ser.

Ora, se há umas de 10 minutos em que a pessoa fala bem e diz coisas interessantes e não custa nada... Há outras gigantes, chatas, monocórdicas e enfadonhas. E com pessoas que se engasgam. E que se enganam muitas vezes. E que dão facadas na língua portuguesa. E, valha-me Deus, mais 56 coisas que não vou estar agora aqui a enumerar.

Nunca me disseram que era chato transcrever entrevistas. É daquelas coisas que ninguém dá importância e  é, de facto, uma coisa insignificante. Mas aborrece-me, que é que posso fazer? Principalmente se nem forem minhas...mas todos nós já tivemos que engolir sapos desses, não é verdade?


Boa semana,

SB

sábado, 17 de setembro de 2011

Hoje li a frase...

..."Gosto de escrever porque me dá liberdade."


E é exactamente isso que eu sinto. Mesmo que tenha um tema previamente estabelecido. Mesmo que tenha factos que obrigatoriamente têm que ser transmitidos. Escrever dá-me liberdade. Faz-me ficar mais leve. Faz-me pensar, viajar por todo o meu vocabulário mental, faz-me ser criativa...


Para mim escrever é uma terapia. Por isso acho que tenho o melhor trabalho do mundo. Escrevo. Conto histórias. E pagam-me por isso.


Bom fim de semana,
SB

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Conversas de rua

Hoje ouvi uma conversa entre duas senhoras de idade, na rua, que não posso deixar de partilhar.
Então era assim:

Velha 1: Ai ontem estava uma Lua tão bonita...estava enoooorme...
Velha 2: Então e você não sabe porque é que a Lua estava assim?
Velha 1: Eu não...
Velha 2: Não aprendeu na escola??
Velha 1: Não...

(neste momento eu estava muito atenta, com os ouvidinhos postos na conversa, à espera de uma tese científica sobre o porquê de a Lua estar muito grande...)

Velha 2: Porque era Lua cheia!!!  (olha, boa...)
Velha 1: Ah isso eu aprendi...também há a lua crescente e mais umas...
Velha 2: Pois...mas você sabe porque é que há a Lua cheia?
Velha 1: Não, isso já não sei... Tem a ver com o calor ou o vento, não é??
Velha 2: Oh...Não falo mais consigo!!

E foi isto.


Como jornalista sinto que, mais que uma vontade, há uma obrigação de informar e ensinar. Mas como naquele momento, ali no meio da rua, eu era só mais uma miúda com sono, à espera do autocarro, decidi não interferir, continuar calada e rir-me sozinha com os disparates.


SB

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

"Chernobyl"

Foi a 26 de abril de 1986 quando uma explosão no quarto reator da Central de Chernobyl, na antiga república soviética da Ucrânia provocou o maior acidente nuclear da História. A explosão provocou fugas de radioatividade para a atmosfera, cujos efeitos ainda hoje se fazem sentir.
Pouco sei sobre este acontecimento, mas não esqueço fotografias que vi de pessoas monstruosas [desculpem alguma crueldade no termo mas não encontro outro adjetivo] e o olhar inocente das crianças com quem falei recentemente numa reportagem.
São “vítimas de Chernobyl”, ucranianas, que vieram a Portugal passar um mês de férias com famílias de acolhimento portuguesas. É um programa que existe há 3 anos.
A Lusa mandou-me ao Jardim Zoológico passar a tarde com elas, no dia da despedida, do regresso a casa, feliz para uns (as famílias que veem chegar), triste para outros (as famílias que veem partir).
Estavam traçadas as linhas para escrever uma reportagem de emoções.
Primeiro, é de louvar haver famílias que, voluntariamente, recebem estas crianças e ouvir dizê-las “são como filhos”.
Segundo, ouvir as próprias crianças contarem o modo como vivem na Ucrânia, os hábitos tão diferentes dos nossos.
Acompanhei duas famílias, uma que “adotou” Alex e outra que ficou com Viktoria.
Ele era uma criança desinibida, notava-se o à-vontade que tinha com os pais portugueses e a confiança já conquistada, ainda que a comunicação entre eles fosse apenas por gestos.
A “mãe” dizia que ele tinha poucos hábitos de higiene: não lavava os dentes, comia peixe com as mãos, levantava-se da mesa enquanto o jantar ainda não tinha terminado. Eram atitudes normais na sua casa na Ucrânia.
Na outra família estava inserida Viktoria, uma menina loirinha, olho azul, com manchas de pele visíveis no braço, consequência de Chernobyl, com cara fechada e sobrancelhas quase sempre franzidas que denunciavam alguma revolta.
Lá, a mãe é alcoólica, o pai e o tio morreram no ano passado, os irmãos mais velhos não se preocupam com nada e é ela que tem de cuidar da casa, da horta e da irmã bebé. Com enorme gosto pela escola, as obrigações domésticas impedem esta menina de 8anos de estudar.
Esta foi a história que mais me comoveu. Contada por um “pai”, o português, cujos olhos brilhavam quando falava dela e que disse querer adoptá-la definitivamente.
Disse que era a filha que não teve, que a amava, que queria educá-la e dar-lhe a vida feliz que não tem.
Já tinha ido à Ucrânia tentar trazê-la para Portugal, sem sucesso. Prometeu que este ano voltaria para que ela viesse passar o Natal.
Chorou quando se despediram.
Enfim, tudo isto para dizer que há trabalhos e histórias que marcam.
Não bastava serem crianças, como tinham também de carregar uma história de vida incapaz de deixar indiferente.
Se há trabalhos que são um frete e que não me dão inspiração para escrever sequer uma linha, pois este encheu-me, ou melhor, preencheu-me.
Foram 4 horas de reportagem no Jardim Zoológico, numa tarde de domingo de Agosto, um calor insuportável, andar o tempo todo com o tripé da câmara de filmar às costas, tinha entrado as 11:00 e saí às 22:00.
Em qualquer outra situação isto era capaz de me enfurecer com infindáveis palavrões, mas ali, naquele dia, com aquelas crianças, aqueles pais de coração, aquelas histórias, as lágrimas e os sorrisos, fiquei…assim.
A todos os que ambicionam esta profissão e não sabem dizer a razão, pois bem, poder "viver" e contar histórias destas, é a minha.

O vídeo que editei e texto que escrevi:
http://videos.sapo.cv/78sOts1KFC66VWYzHwQi
http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1958131&page=-1

O JN não assinou como “Lusa” a reportagem que escrevi, coisa que, aliás, já vem sendo habitual. Talvez seja assunto para aqui falar/escrever um dia destes.

MDM

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Abaixo o acordo!

Ora bem, hoje tive a chata, mas já expectável, notícia na redacção que íamos adoPtar o novo acordo ortográfico para o site do programa, que é a parte escrita mais vísivel aqui do sítio.

Embora já estivesse à espera, visto haver um prazo para se tornar regra geral, desejei, aqui para mim, que isso ainda demorasse muito tempo. Não por querer ficar agarrada ao passado ou por ser saudosista (que sou), mas porque NÃO CONCORDO! Não concordo, nem irei concordar tão cedo...provavelmente até me habituar (o que vai demorar 7 vidas). Que sentido tem tirar os P's e os C's do meio das palavras? E os hífens? Para além de confuso fica feio e sinto-me abrasileirada no meu próprio país.

Sem contar que o meu Word também não está para essas brincadeiras e se me aventurar a ser moderninha com ele, manda-me uns riscos vermelhos nas palavras, o que me enerva como se não houvesse amanhã e isto assim não há condições para trabalhar...

Tenho amigas que, por trabalharam em imprensa, já tiveram que o adoPtar há muito tempo e estão tão habituadas que até sms conforme o acordo, mandam. Detesto.

Mas vá...o que se pode fazer? Aceitar, é o que me resta. Aqui já se imprimiu um documento de várias páginas com as regras...mas eu recuso-me a pegar nele. Até daqui a uns dias, pois a partir de 1 de Outubro tenho que ter as novas regras de escrita decoradas e infiltradas em mim e no meu cérebro jornalístico. E chateia-me.

Afinal isto serve para quê? Para facilitar a vida de quem sempre teve dúvidas se punha um P antes do T aqui, um acento ali ou um hífen acolá? Haja paciência...ou "passienssia"...eu sei lá o que lhes passa pela cabeça...


SB

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

31 de Agosto de 2011

É esta a data em que recebi uma das melhores notícias dos últimos tempos. Está um dia chuvoso, frio e deprimente... Mas eu estou feliz e vou partilhar aqui neste espaço o porquê: Vou ficar a trabalhar no sítio onde estou a estagiar, a fazer mesmo o que gosto, na área que mais me fascina, a televisão!

Vou comemorar!

E prometo mais posts com todos os pormenores das reportagens mais giras (ou estranhas) que fizer!



SB

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Forgive?!

Muitas vezes dou por mim a pensar se terá valido a pena, se foi verdadeiro ou se apenas fui tão cega que não vi o óbvio. Sinceramente ainda não sei a resposta e acho que enquanto a raiva não passar não irei saber.

Passamos a vida a dar tudo a quem não devemos, quando os nossos verdadeiros amigos estão mesmo ali ao lado, a dar-nos aquilo que precisamos sem pedirem nada em troca. É bom reconhecer isso, ainda que tarde!

No entanto às vezes pergunto-me: até que ponto podemos perdoar?


P.S. Obrigada por tudo às que sabem quem são!

P.S.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Parabéns M.

Muitos parabéns à M!

Foi uma meia noite em grande com a S, R e P. Faltou a C.


Love to you



terça-feira, 16 de agosto de 2011

Chamam-lhe sorte

Sorte. O dicionário diz que é a combinação de circunstâncias ou acontecimentos que influem de forma inelutável.
A sorte, aquela estrelinha que todos temos. Uns apercebem-se, outros não. Aparece várias vezes, sem que a contabilizemos ou a memorizemos e, por isso, às vezes passa despercebida.
Em algum momento na vida já dissemos “que sorte”, “que sortuda”, acompanhada de uma expressão de alívio ou de felicidade, seja em situações banais ou em momentos decisivos.
A culpa nunca morre solteira, então e a sorte vem sempre sozinha? Quero com isto dizer o seguinte: a sorte é apenas sorte ou não existe sem uma participação nossa?
Bem, vou recuar cerca de dois anos, para a altura em que comecei a trabalhar.
Terminei o curso em setembro de 2008. Lembro-me do dia em que apresentei a minha tese de licenciatura, do momento em que recebi a nota e do dia seguinte, em que pensei, então e agora, o que é que eu faço?
Não me dei tempo para férias. Pus mãos à obra, que é como quem diz, fazer o currículo e mandar para tudo quanto era órgão de comunicação social.
SIC, RTP, Media Capital, agência Lusa, Expresso, grupo Impala, etc. A todos os recursos humanos lá deve ter chegado a minha carta de apresentação e o currículo em anexo.
O “carga de trabalhos” já fazia parte da minha rotina cibernáutica e cheguei a candidatar-me a propostas de trabalho em Madrid.
Apenas a SIC respondeu, educadamente, a dizer que não precisavam de ninguém.
Dias depois telefonaram-me da agência Lusa a perguntar se estava interessada num estágio, de 3 meses não remunerado, apenas com subsídio de alimentação e transportes.
O “sim” foi imediato. Segunda-feira seguinte, em janeiro, lá estava eu, mais cerca de dez colegas, maioria de Lisboa, mais alguns do Porto e Aveiro.
Primeira semana foi de conhecimento. O editor de cada secção falou-nos do trabalho de cada área. O diretor deu-nos as boas vindas com um sabor amargo já que garantiu que “ninguém fica empregado na Lusa diretamente depois do estágio”.
Indecisa entre a editoria de Desporto, Política e País, comecei por excluir o Desporto [deixei que dois colegas disputassem o cargo], depois a Política [só havia uma vaga e outra colega fazia mesmo questão] e lutei por um lugar no País. Havia duas vagas e três candidatos. Tirámos à sorte com bilhetes com os nossos nomes. Um dos escolhidos foi o meu.
A cerca de um mês de terminar o estágio começou a chegar-me aos ouvidos elogios ao meu trabalho, palavras de motivação e outros tantos “talvez fiques”.
Pessimista por defeito, não liguei muito aos rumores, embora ficasse sempre aquele friozinho na barriga do “e se for verdade?”.
Não me encostei aos “ses” e continuei o meu trabalho, o melhor que pude, com mais rigor e mais exigente, por isso, a cada erro, cada crítica, a desilusão era maior.
No entanto, os tais rumores vieram a confirmar-se e a pouco tempo de terminar o estágio eis que surgiu a tão desejada proposta: “apareceu uma vaga na Linha e como moras em Cascais queremos que fiques a cobrir essa zona”.
Parece que ainda estou a sentir aquela excitação e ansiedade de começar, a 01 de maio de 2009.
Na altura chamaram-lhe sorte, e foi, mas quero em mim acreditar que a sorte fez-se acompanhar do meu trabalho, esforço e dedicação.
Ainda hoje estou na agência Lusa, mais atenta às notícias da Linha (Cascais e Oeiras). Trabalho para qualquer editoria, embora pertença à secção de País. Muitas vezes faço trabalhos em Lisboa e sou sujeita a piquetes da noite ou fins-de-semana, a qualquer hora. Quase não me nego a nenhum.
Consigo gerir o meu horário, não tenho de trabalhar das nove às cinco, posso propor reportagens, consigo escrever sem limite de palavras e enviar os textos em esplanadas ou em casa.
Chamam-lhe sorte. Eu também, mas acrescento e sem presunção: Sorte merecida.

MDM.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Vitalis: os bastidores e a fábrica


Já alguém viu na SIC a promo com a Claudia Vieira a pedir aos portugueses que apoiem a causa solidária da Água Vitalis em parceria com a SIC Esperança? Se não viram ainda, estejam atentos.

A Sic Esperança e a Vitalis juntaram-se para ajudar o regresso às aulas de famílias carenciadas. Por cada garrafa de água Vitalis comprada de Julho a Agosto, uma percentagem reverterá para a atribuição de bolsas escolares a crianças e jovens com menos possibilidades.

Ora, era mais ou menos este o discurso que a actriz/apresentadora da SIC tinha que decorar para a câmera.

Acho sempre um piadão em ir aos sets onde são gravados os spots publicitários. Ver o outro lado. Ver como tudo é organizado, pensado, produzido, filmado. É muito diferente do que depois se vê nos intervalos dos programas, acreditem.

Mas este não era um grande making of. Era apenas uma promoção gravada pela SIC, com duas câmeras, uma produtora e mais uns quantos nomes técnicos ali.

O local escolhidos foi o Museu do Traje, no Lumiar...no seu lindo jardim, onde eu em tempos fui numa visita de estudo. Tive ali uns 2 minutos de nostalgia. 

Um spot de 30 segundos e outro de 45 segundos. Claudia Vieira em pé com um lago atrás. Claudia Vieira sentada à beira de outro laguinho. Com 2 figurantes sentados atrás dela e duas criancinhas que passavam por trás com material escolar....era este o cenário.





Algumas repetições do texto para ter certeza que ficava bem, sem enganos e todos os elementos no tempo e posição certa. E já está. Pronto para editar e começar a passar nos ecrãs nacionais.



Como gostamos sempre de saber mais e meter o 'bedelho' nas profundezas e segredos das marcas, fui à fábrica onde é engarrafada a água... Lá para trás do sol posto. Sabem onde é Envendos? E Ladeira de Envendos? Pois, eu também não sabia, mas fiquei a conhecer.
Aliás, o trabalho jornalístico tem destas coisas boas...conhecer muitos sítios, muita gente, muitas coisas interessantes que dentro de quatro paredes só se conhecem pela Internet.






Todas as máquinas estavam interligadas. Para a sala de enchimento tínhamos que entrar com batas.
É posta a rolha, depois o rótulo, e finalmente são agrupadas em packs.
Gosto sempre de ir às fábricas ver todo o processo....é realmente uma experiência enriquecedora.

Deixo aqui um cheirinho:



SB

O novo sabor das férias

Aqui estou eu quase quase de partida para as minhas primeiras (e merecidas) férias enquanto trabalhadora, e deixem-me que vos diga que nunca tiveram um sabor tão especial.


E muitas vezes ponho-me a pensar que algo que antes era dado como adquirido agora é uma verdadeira conquista!


Na verdade são apenas umas folgas, mas só o facto de dizer a palavra férias causa toda uma alteração em mim... Quem, como eu, trabalha compreende na perfeição o sentido destas palavras!


E hoje vou rumo ao sw e depois na próxima semana esperam-me uns dias de puro relax pelos algarves!


Para todos os que ficam, a minha força está com vocês! Para todos os que vão (como a M. que está no paraíso) APROVEITEM!



Repeat after me: I am free!!!!



Hasta la vista baby's! Depois conto novidades do sudoeste!

P.S.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Jornalismo é do povo?

Eu não percebo nem nunca irei compreender o porquê do jornalismo ser tratado como algo leviano! Para quê estudar para ser jornalista? Qualquer um que junte 2 palavras acha-se no direito de se afirmar jornalista. Qualquer empresa de meia tigela acha que pode produzir conteúdos sem ter ninguém que perceba do assunto e assim continuamos neste mundinho onde esta profissão simplesmente não tem regras.


Códigos deontológicos? pfff para quê?


E uma pessoa que tirou o curso na área, fez formação práctica, tem trabalhos publicados e agora não pode ter carteira porque não tem ninguém responsavél que assine uma porcaria de uma declaração...
E vou continuar por tempo indeterminado à espera de ser declarada aquilo que já sou!!! #!tf#!#%& para isto...


P.S.

terça-feira, 12 de julho de 2011

ALIVE'11 - a experiência

O meu 3º Alive enquanto espectadora e fã...o meu 1º enquanto jornalista. Quando na redacção se distribuíram os festivais por todos, eu agarrei logo o Alive. Felizmente não houve discussão porque todos têm gostos diferentes e cada um ficou com o festival que queria.

Ia contente e ansiosa, mas ingénua. Achava eu que me ia divertir enquanto trabalhava. Silly me.






























Não pude ir 4ª feira, dia 6, porque estava fora em trabalho, mas quem foi diz que gostou muito, que os Coldplay foram óptimos e que para sair de lá demoraram 2 horas. "Sardinhas em lata no túnel da estação de Algés" foi a expressão que ouvi. Um horror. Outros dizem que Coldplay em recintos abertos perde a mística, que estava gente a mais, não havia rede nos telémoveis e que não voltavam lá.

Opiniões à parte, 5ª feira às 15h estava a pedir a minha acreditação na entrada. Pulseira press no pulso e credencial ao pescoço...'bora lá!

Filmámos de tudo... Os miúdos a sairem do comboio, a chegada, mostrar o bilhete, abrir a mala aos seguranças, a excitação de alguns e a pouca paciência de outros. À entrada o público era recebido com música, num palco montado a meio da infra-estrutura. Como não podia deixar de ser, eu e o meu reportér de imagem subimos. Ele a filmar e eu a fotografar. Uma visão diferente da chegada das pessoas.

O calor, o cansaço e o peso de andar a carregar a câmera fizeram-me arrepender da minha anterior vontade de ir para lá trabalhar. Ia econtrando amigos pelo caminho e ia prometendo que mais tarde lhes ligava para ver os concertos. Consegui fazer isso com poucos. 

Entrevistei o director de marketing da Optimus e gostei de o ver umas horas depois a curtir o concerto de Foo Fighters no meio do "povo" e não no 'poleiro' vip (expressão que ouvi bastantes vezes durante estes dias). Esta é a maior activação da marca durante o ano e o retorno, dizem, supera sempre as expectativas.

Nesse dia queria ver Foo Fighters e arranjei maneira de despachar o trabalho cedo para depois ver o espectáculo sem preocupações. Adorei! Antes vi Xutos e Pontapés...é daquelas bandas que se vê sempre, porque as letras estão todas na ponta da língua, mesmo quando não se é um fã convicto. Devo confessar que foi uma desilusão. Não tocaram clássicos como Homem do Leme, Circo de Feras e aquela da Maria. Mas compensaram com o regresso do Zé Pedro aos palcos que deixou os verdadeiros fãs arrepiados de emoção.

Na sala de Imprensa seguia-se tudo ao minuto. Os jornais, revistas, televisões e fotógrafos numa azáfama. Partilho aqui a sala onde se trabalhava. E partilho também o local onde todos os jornalistas viam os minutos ou o número de músicas que os artistas permitiam filmar ou fotografar.




O jantar ali não era mau. E para quem não queria esperar pelo catering, as massas Milaneza feitas em micro-ondas, tinham uma grande saída.

Zona de Imprensa

Na 6ª feira, dia 8, as fãs de 30 Seconds to Mars rumaram ao passeio marítimo de Algés...cedíssimo, para não perderem a oportunidade de ver o Jared de perto. 


A espera por 30 Seconds to Mars


Não só tiveram que esperar mais horas do que estava previsto, como esperaram em silêncio. O palco principal ficou mudo até à meia-noite e meia. Um escândalo para qualquer festival. Até porque a organização só deu justificações ao público já passava das 23h, quando o primeiro concerto estava previsto para as 18h30. Uma falta de respeito. As páginas do livro de reclamações do festival ficaram cheias de palavras de revolta e indignação. 

Varanda Zona Vip à tarde
Na zona de imprensa e zona vip ouvia-se dizer que era o fim do Alive e que para o ano já não existia. Uns preocupados, outros com pena, e outros ainda que nem deram pela falta dos 3 concertos iniciais (cancelados).

Os palcos secundários encheram. Os jornalistas puderam fumar uns cigarrinhos descansados, por falta de trabalho. E os vips continuaram à procura dos rissois de camarão ambulantes que lhes passavam à frente, enquanto dançavam a nova música da J.Lo e cumprimentavam outros tantos vips que só lá estavam pelo whiskey a zero euros. Acredito que muitas daquelas pessoas nem sequer se lembravam que estavam num festival. Foram lá para ver e ser vistas. Uma tendência que nunca sai de moda.

Dizem que Chemical Brothers e Steve Aoki salvaram a noite. Curiosamente nesse final de tarde entrevistei Àlvaro Covões, o respónsavel da Everything is New, quando ainda ninguém sabia que o palco principal estava com problemas. Falámos de tudo o que havia para falar sobre o festival: as marcas presentes, a venda de bilhetes e as expectativas. Mas não tocou no assunto da queda do palco, da pouca segurança, dos cancelamentos ou das gruas que seguravam o palco. Eu soube meia hora depois. E aí fez sentido o nervosismo dele e os burburinhos da produção que ouviam no local.




Sábado, finalmente, pude descansar e aproveitar o festival como mera festivaleira (que sou). Mas ainda assim e sempre com um olho jornalístico, fiquei até ao fim e apanhei o momento em que, já com a zona do palco principal vazia, começaram a desmontar as infra-estruturas. Os camiões da Super Bock entraram em acção e o palco Optimus começou a ser desmontado. Um festival não pára, nem na hora de arrumar 'a trouxa'. O after party da tenda vip ainda sobrevivia, mas cá fora sobravam apenas centenas de copos no chão e os vestígios da festa que ali se passou.





 






Para 2012 já há data: 12, 13 e 14 de Julho.

Até para o ano!




segunda-feira, 11 de julho de 2011

ALIVE - a memória

Mais um Optimus Alive. O quinto. Para quem não se lembra em 2007 o nome era outro...Oeiras Alive! E foi um sucesso desde o ínicio. Disso lembro-me bem. Para ser sincera quase não me lembro que bandas fui ver, mas lembro-me que foi ainda em Junho, dias 8, 9 e 10.
A Optimus já era patrocinadora e já dava o nome ao palco principal. Um ano mais tarde passaria a dar o nome ao próprio evento. O que me aliviou, confesso. Eu vivo em Oeiras e detestava quando alguém que de longe se referia ao passeio marítimo de Algés como sendo Oeiras, porque vamos ser sinceros...Oeiras é bem mais bonita que Algés. Mas defesas de freguesias à parte, o que conta é que o pouco utilizado passeio marítimo se encheu de gente durante aqueles dias e agora recebe, anualmente, a visita de milhares de festivaleiros. 
O segundo palco dava pelo nome de Sagres Mini...hoje é Super Bock. O terceiro palco estava longe de existir...assim como o Coreto com os Homens da Luta, as bicletas cor-de-laranja e a quantidade de marcas presentes no local. Em 2007 era tudo em ponto pequeno. Menos as bandas...Pearl Jam (sim, já tinham lá estado no primeiro ano), Beastie Boys, Smashing Pumpkins, White Stripes e Linkin Park fizeram as delícias dos fãs e dos curiosos sobre este novo evento.
O Alive prometia ganhar espaço no panorama musical português...e não faltou à promessa. Hoje, é um dos mais conceituados festivais na Europa e vêm pessoas de vários países assistir aos concertos, aproveitando a praia a poucos quilómetros e o bom tempo que Portugal se orgulha de ter. Lembro-me de ver concertos, de jantar na zona de restauração, de tirar muitas fotos e pouco mais.


Falhei dois anos e em 2010 voltei. Estava tudo diferente. E em 2011 mais diferente ainda. O espaço está maior, com mais metros quadrados, mais horas de música, arte, cultura e animação. E este ano eu já não ia como mera espectadora. Ia para trabalhar. Ia fazer reportagem.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

I'm a mess, I confess

Hoje queria escrever muito... e sobre muitas coisas... e no entanto não consigo perceber o que eu própria quero escrever! Por isso vou alinhar a cabeça, pôr as coisas em ordem e depois encontramo-nos aqui!


P.S.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

“Ossos do ofício”

Uma expressão normalmente associada a dificuldades que resultam da profissão, com uma conotação negativa.
No entanto, e apesar de a nossa profissão fazer jus ao significado, hoje apetece-me falar de “ossos bons do ofício”, os que nos proporcionam coisas boas, que nos fazem viver momentos de sorrisos inesperados, assistir a espetáculos únicos, conhecer pessoas raras ou simplesmente ter boas conversas.
Nunca houve nenhuma pessoa em especial que quisesse entrevistar, uma figura das televisões ou jornais que quisesse muito conhecer, um nome sonante, um ídolo, uma referência.
Há anónimos mais interessantes, pessoas desconhecidas que valem a pena só pela troca de duas palavras. Tive a oportunidade de conhecer uma dessas pessoas.

Proprietária de uma das mais antigas livrarias em Cascais, uma senhora de 60 anos, elegante, sem acessórios ou maquilhagem, com a beleza sóbria e simples dos intelectuais.
Simpática e acolhedora, recebeu-me cheia de sorrisos e elogios. Quase que fiquei à vontade e esqueci-me para o que ia: falar de literatura, um tema tão exigente, que não me deixa confortável e que serve a muito poucos.
A sua linguagem elaborada inata, os gestos lentos, o olhar atento, uma inteligência que se percebeu na primeira palavra, deixaram-me nervosa. Aquela não era uma simples vendedora de livros, daquelas que impinge o que quer que seja, de preferência o mais caro e que fala do assunto por circunstância.
Considerava-se ela própria um “aspirador de livros”. Dava para perceber. Cada resposta às minhas perguntas tinha de ter o exemplo lido num livro, o título de alguma obra, antiga ou recente, de um autor conhecido ou nem tanto.
À medida que a entrevista avançava, o entusiasmo a falar de livros era maior. O dela, não o meu, que poucos conhecimentos tenho nesta matéria para fazer surgir uma discussão e tornar a pergunta-resposta numa conversa aprazível entre entendidos.
Considerava falar da importância dos livros para os jovens hoje em dia um “tema leviano”, nomear um livro preferido “impossível”, opinar sobre a literatura chamada light uma “ofensa”.
Respostas diretas, cruas, desmedidas, que me deixavam atrapalhada e a sentir-me uma incompetente. Cada vez que eu falava ela lançava-me um olhar reprovador. Nada do que eu perguntava servia, portanto, deixei-a falar.
Normalmente tenho a preocupação de fazer entrevistas curtas, principalmente se estou a filmar, mas ali, com ela e os milhares de livros que nos rodeavam, não quis saber do tempo.
Tirei o som dos telemóveis, pousei o microfone na mesa, encostei-me confortavelmente na cadeira e ali fiquei a ouvi-la durante cerca de uma hora.
Falou-me das pequenas coisas, aquelas que não nos ocorre pensar no dia a dia. A falta de tempo, uma desculpa “absurda” frequentemente utilizada de quem não lê.
A sociedade ignorante em que vivemos, onde é mais importante ir ao shopping do que a uma biblioteca, onde 40 euros por uns sapatos é barato, mas 20 euros por um livro é um exagero.
Ouvia-a atentamente, ficava a pensar no que me estava a dizer, acenava com a cabeça afirmativamente como quem diz “é verdade/tem razão/nunca tinha pensado nisso”.
No final, mostrou-me toda a livraria, os amontoados de livros escondidos na cave, apresentou-me as filhas, ofereceu-me um livro de José Saramago, com menos de 50 páginas, e fez-me prometer que lhe ligava depois de o ler. Assim fiz. Liguei-lhe a agradecer, não pelo livro, mas pela lição.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Primeira Entrevista

Continuando na onda das primeiras entrevistas da nossa (ainda) curta carreira no mundo do jornalismo, resolvi partilhar com vocês a minha primeira experiência nestas andanças. Num final de tarde como outro qualquer, chegou-nos uma proposta de entrevista à redacção, como chegam muitas. No entanto, esta era especial - ofereciam-nos a oportunidade de entrevistar Patrick Dempsey, o tão desejado McDreamy da série de sucesso Anatomia de Grey. Como fã da série e do actor, fiquei imediatamente entusiasmada, mas confesso que apenas pela oportunidade de alguém da redacção o entrevistar; nunca pensei que a escolha fosse recair em mim! O entusiasmo dobrou, mas os nervos também. Comecei a construir as perguntas (com algumas limitações impostas, o que infelizmente não me permitiu perguntar tudo o que queria), mas sempre com muitas "borboletas na barriga". Apenas quando chegou o dia da entrevista me apercebi dos contornos da mesma - inicialmente pensei que seria feita através de vídeo-conferência, mas afinal seria com uma conference-call, com jornalistas de diferentes países a colocarem as suas perguntas. Apesar de ter ficado um pouco desiludida inicialmente (confesso que adorava ter visto Patrick "em carne e osso") , rapidamente me apercebi que a experiência iria ser ainda mais gratificante do que pensava - apesar de me ter dado um arrepio na espinha quando ouvi pela primeira vez a voz do actor, esse arrepio repetiu-se de cada vez que anunciavam o meu nome como "a jornalista de Portugal", ao mesmo tempo que ouvia diversas vozes de outras jornalistas de diferentes países, desde a Grécia à Arábia Saudita! Pela primeira vez pareceu-me completamente real, eu era mesmo jornalista, representava o meu país naquele contexto e estava muito orgulhosa de mim, e de ter conseguido chegar onde sempre quis! A entrevista em si foi divertida, o Dr. Shepherd não desiludiu, e apesar de não ter tido oportunidade para lhe perguntar tudo o que gostaria, fiquei a saber que já esteve no nosso país em férias e adorou.
E apesar de já não me lembrar de há quanto tempo já não ficava com as pernas a tremer de tantos nervos, a sensação no final desse dia era só uma: felicidade! Por amar muito a minha profissão e por ser abençoada e ter a oportunidade de conseguir fazer o que realmente gosto na vida todos os dias!

E por todas as vezes que pensei que nunca conseguiria ser jornalista, que sempre foi o meu sonho, só me lembro de que ainda bem que não cedi, nem desisti! É um cliché, sem dúvida, mas às vezes compensa!

"Believe in yourself (even if no one else does), and don’t allow anything to stop you from achieving what you desire, you will get where you want to be."


terça-feira, 28 de junho de 2011

Happy B-day

Hoje é um dia especialmente feliz! A SB faz anos e por isso as meninas da página 23 aqui estão para desejar um b-day em grande...

A festa já começou ontem num fim de noite muito animado ao pé da praia com sangria à mistura!!!

My PATh

E assim fiquei à espera do post de todas para finalmente escrever... Porque é mesmo assim: sob pressão e à última da hora! É assim que um jornalista funciona e eu como tal não me sinto diferente. Mas será que me sinto uma jornalista no sentido literal da palavra? Não sei! Sempre tive uma mente clara em relação ao meu futuro, sempre soube o que ia fazer, porque a minha necessidade de comunicar é muito grande e a de investigar maior ainda.


E desde cedo que batalhei por isto, por uma carreira neste mundo, por um trabalho que me completasse, por um estilo de vida único. Mas quanto mais alto sonhas maior é a queda e assim foi comigo! Tudo aquilo adorava no jornalismo simplesmente não existe ou só existirá depois de 30 anos de carreira e depois de muitas contrariedades. E nesse momento temos de repensar tudo e pensar o que vamos fazer à vida, principalmente quando achamos que só sabemos fazer isto!!!


Vivi muito e muito intensamente ao tentar descobrir o que fazer da minha vida: dancei muito, realizei muitos sonhos, tirei uma pós-graduação noutra área... E por mais que tentasse fugir o meu caminho só descobria esta saída. Hoje em dia sou mais do que apenas uma jornalista, faço um pouco de tudo no meu trabalho e gosto dessa sensação de ser multifacetada!


O momento alto da minha carreira? Não sei! O momento que mais me marcou? Nenhum em especial. Apenas uma sensação. Uma não, duas: poder e felicidade. Poder porque sinto que estou a tornar-me cada vez mais forte e que não me deixo cair facilmente, e felicidade porque hoje em dia sei apreciar as pequenas coisas que a vida me dá, porque sinto que estou no bom caminho e porque olho para trás e penso: "Já vivi muito!!!"


















P.S.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

“Dá-me guitarra”

Um poema de homenagem a António Feio que morreu em julho de 2010, escrito por Catarina, a segunda filha mais velha do ator.
Um trabalho pedido pela Cultura levou-me, numa quarta-feira, 06 de outubro de 2010, ao Teatro Experimental de Cascais (TEC) para uma homenagem a António Feio.
Lembro-me que chovia torrencialmente e, depois de andar perdida à procura do local, cheguei mesmo em cima da hora, mas muito a tempo de assistir a um momento emocionante que jamais irei esquecer.
Sala pequena, cheia de gente, amigos, colegas, desconhecidos, curiosos. O nome de Eunice Muñoz era anunciado pelo encenador Carlos Avilez, diretor do TEC. Tinha sido convidada para declamar o poema de homenagem a António Feio.
A um aplauso, agradecido humildemente pela atriz, seguiu-se o “Dá-me Guitarra”.
Palavras simples, sentidas, de uma filha que chora a perda do pai e que ganharam ainda mais força por serem proferidas pela grande senhora do teatro que, à semelhança do público, não conteve a emoção.
Foram cerca de cinco minutos num silêncio absoluto. Dezenas de pessoas naquela sala pequena entregue à voz da grande Eunice que, sem surpresas, cumpriu na perfeição a missão que lhe havia sido destinada.
Todos a ouviam atentamente, sem o mínimo movimento, sem o mais pequeno ruído (à exceção dos disparos das máquinas fotográficas dos colegas presentes), como se todos tivessem contido a respiração para não atrapalhar um segundo.
No final, entre lágrimas, sorrisos, abraços e uma sala inteira de pé a aplaudir, Eunice fez uma expressão envergonhada para o público e devolveu a ovação a Catarina, que abraçou com ternura a atriz em forma de agradecimento.
Eu estava ao fundo da sala, em pé, estrategicamente colocada para poder assistir àquele momento que sabia que iria ser emocionante e, claro, emocionei-me.
Enquanto batia palmas freneticamente, lembro-me da primeira coisa em que pensei e pela primeira vez em dois anos desde que estou a trabalhar: “Que sorte que eu tenho em ter esta profissão”
Deixo-vos aqui o poema da Catarina Feio e, se for possível (acho que não é), tentem imaginá-lo a ser declamado pela Eunice Muñoz:

Foi presunção nossa? Talvez…
Passar por esta contrariedade
Sem remoer nos “porquês”
E mantendo alguma vaidade.

Será culpa tua? Jamais…
O guião já tinha sido escrito
E neste mar de vendavais
Nunca te ouvimos um grito.

Se isto faz sentido? Sei lá…
A incerteza não nos conforta,
Mas o que a vida nos dá
Não é a única coisa que importa

Amanhã será melhor? É irrelevante…
Agarrar-me-ei esta madrugada
A algo insignificante,
Que me manterá motivada.

Da tua perda, já sei o sabor
E já chorei toda a nossa saudade,
Ao despedir-me, pedi-te um favor…
Volta p’ra nós e volta de verdade.

Não quero ficar a sós
Com este amor que nos amarra
Acompanha a minha voz
E dá-me guitarra

Já nos vejo renascidos
Numa azáfama tranquilizadora
Com projectos enriquecidos
E a tua mente mais sonhadora.

Os afectos, mais frequentes
E bem próximos do que eu sonhara.
Os receios? Estão ausentes.
A ferida dói, mas também sara.

Da tua perda, já sei o sabor
E já chorei toda a nossa saudade,
Ao despedir-me, pedi-te um favor…
Volta p’ra nós e volta de verdade.

Não quero ficar a sós
Com este amor que nos amarra
Acompanha a minha voz
E dá-me guitarra

sábado, 25 de junho de 2011

Lábios de Mosto

Quem me conhece sabe-me apaixonada pela Simone. De apelido Oliveira eu considero-a um Carvalho, forte e resistente. Cresci numa casa onde se ouviam nomes como Paulo de Carvalho, Carlos Paredes, Zeca Afonso, José Mário Branco, Carlos do Carmo e onde o Festival da Canção ainda era – longe vão os tempos – um momento de entretenimento. A primeira vez que ouvi a “Desfolhada” devia ter uns 8/9 anos e nunca mais me esqueci do verso “quem faz um filho fá-lo por gosto” que ainda hoje uso regularmente para criticar o facto de já não ser assim. Se o José Carlos Ary dos Santos tivesse composto a música hoje, provavelmente seria algo como: “quem faz um filho faz porque, olha aconteceu e pronto”. Acho que não há, em Portugal, ninguém que cante como a Simone, que transpareça tão bem sentimentos através da música.

A verdade é que tive o prazer e a honra de num dos meus primeiros trabalhos jornalísticos entrevistar a "minha" Simone. Não estava nervosa, estava antes extasiada. Assim que a vi fui ter com ela e quando me preparava para lhe dar o formal aperto de mão ela puxou-me e deu-me dois beijinhos. Começámos a entrevista, e as palavras dela, tal como quando canta, saiam carregadas de força e de emoção, como se cada palavra que dissesse fosse a última e quisesse pôr nela todo o seu sentimento. Às tantas deixei o gravador fazer o seu (e meu) trabalho e deixei-me embalar pela sua conversa e ainda que tenham sido dez minutos, foi aqui que percebi o quanto gosto do meu trabalho.

Nesse mesmo dia tive também com outro incontornável nome da minha infância, o “Sr. Contente”, também conhecido por Nicolau Breyner. Falei poucos minutos com ele mas mais uma vez senti-me levada a outros tempos. Porém, para vos elucidar que o jornalismo por vezes prega-nos partidas devo confessar que nem tudo correu bem….o Nicolau ia ser homenageado como Pai do Ano e eu perguntei-lhe que significado tinha esta homenagem como Avô do Ano…com as filhas dele ao lado. Claro que nos rimos e dissemos piadas e a entrevista seguiu o seu curso normal, mas quando saí fiquei a sentir-me um tanto ou quanto constrangida.

E assim foi um dos meus primeiros trabalhos: felicidade, emoção, calinadas…e hoje, com mais umas quantas coisas feitas sei que é este o meu caminho, quero escrever, quero contar, quero partilhar.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Os primeiros nervos

Uma das experiências que mais marcou o meu início no mundo jornalístico pós-faculdade, foi uma das primeiras entrevistas que fiz. Uma entrevista a um dos grandes nomes da representação em Portugal: Eunice Muñoz.

Fui a um ensaio da peça "O comboio da Madrugada" aberto à Imprensa. Ia nervosíssima. Não tinha quase nenhuma experiência nestas andanças. E tinha medo de falhar, ia estar rodeada por um mar de jornalistas, que me iam achar uma miúda ali no meio, e ia entrevistar uma das actrizes a que se reconhece mais talento em Portugal.

Vi atentamente o acto com que nos presentearam. Eunice Muñoz, como sempre, deu um espectáculo de representação, sentimento, profundidade de palavras e olhares, passando de sorrisos a choro num instante e a fazer as delícias de quem gosta de sentir as sensações que só o teatro dá.
Quando acabou o acto, todos os actores se juntaram para uma curta conferência de imprensa. A seguir vinham as entrevistas singulares. Falei com Pedro Caeiro e Lídia Muñoz, dois dos actores da peça. Quando finalmente o lugar ao lado de Eunice Muñoz vagou, ataquei-o com convicção, mas com as pernas quase a tremer. Estava nervosa... Não queria errar, queria fazer boa figura...


Eunice Muñoz, super simpática, respondeu a tudo o que lhe perguntei, mesmo sendo já a 157ª vez que repetia as mesmas palavras. Nada arrogante e sempre com um sorriso quase de "avó". Para ser sincera, praticamente não ouvi nada do que ela disse...os meus pensamentos naquele momento tornaram-se demasiado sonoros. 
Quando a entrevista acabou tive que fazer um "vivo" final para a câmara e a voz quase não me saía.

Agora olho para essas imagens e sorrio... Não tinha razão para estar assim. E quando saí de lá, pensei: é mesmo isto que quero fazer o resto da vida!

Um mês depois comecei a trabalhar num sítio onde faço isso, onde faço o que gosto. E agora antes de sair em reportagem e antes de fazer entrevistas fico com borboletas na barriga...mas não é de nervosismo, é com ansiedade de chegar lá.

SB.