sábado, 17 de setembro de 2011

Hoje li a frase...

..."Gosto de escrever porque me dá liberdade."


E é exactamente isso que eu sinto. Mesmo que tenha um tema previamente estabelecido. Mesmo que tenha factos que obrigatoriamente têm que ser transmitidos. Escrever dá-me liberdade. Faz-me ficar mais leve. Faz-me pensar, viajar por todo o meu vocabulário mental, faz-me ser criativa...


Para mim escrever é uma terapia. Por isso acho que tenho o melhor trabalho do mundo. Escrevo. Conto histórias. E pagam-me por isso.


Bom fim de semana,
SB

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Conversas de rua

Hoje ouvi uma conversa entre duas senhoras de idade, na rua, que não posso deixar de partilhar.
Então era assim:

Velha 1: Ai ontem estava uma Lua tão bonita...estava enoooorme...
Velha 2: Então e você não sabe porque é que a Lua estava assim?
Velha 1: Eu não...
Velha 2: Não aprendeu na escola??
Velha 1: Não...

(neste momento eu estava muito atenta, com os ouvidinhos postos na conversa, à espera de uma tese científica sobre o porquê de a Lua estar muito grande...)

Velha 2: Porque era Lua cheia!!!  (olha, boa...)
Velha 1: Ah isso eu aprendi...também há a lua crescente e mais umas...
Velha 2: Pois...mas você sabe porque é que há a Lua cheia?
Velha 1: Não, isso já não sei... Tem a ver com o calor ou o vento, não é??
Velha 2: Oh...Não falo mais consigo!!

E foi isto.


Como jornalista sinto que, mais que uma vontade, há uma obrigação de informar e ensinar. Mas como naquele momento, ali no meio da rua, eu era só mais uma miúda com sono, à espera do autocarro, decidi não interferir, continuar calada e rir-me sozinha com os disparates.


SB

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

"Chernobyl"

Foi a 26 de abril de 1986 quando uma explosão no quarto reator da Central de Chernobyl, na antiga república soviética da Ucrânia provocou o maior acidente nuclear da História. A explosão provocou fugas de radioatividade para a atmosfera, cujos efeitos ainda hoje se fazem sentir.
Pouco sei sobre este acontecimento, mas não esqueço fotografias que vi de pessoas monstruosas [desculpem alguma crueldade no termo mas não encontro outro adjetivo] e o olhar inocente das crianças com quem falei recentemente numa reportagem.
São “vítimas de Chernobyl”, ucranianas, que vieram a Portugal passar um mês de férias com famílias de acolhimento portuguesas. É um programa que existe há 3 anos.
A Lusa mandou-me ao Jardim Zoológico passar a tarde com elas, no dia da despedida, do regresso a casa, feliz para uns (as famílias que veem chegar), triste para outros (as famílias que veem partir).
Estavam traçadas as linhas para escrever uma reportagem de emoções.
Primeiro, é de louvar haver famílias que, voluntariamente, recebem estas crianças e ouvir dizê-las “são como filhos”.
Segundo, ouvir as próprias crianças contarem o modo como vivem na Ucrânia, os hábitos tão diferentes dos nossos.
Acompanhei duas famílias, uma que “adotou” Alex e outra que ficou com Viktoria.
Ele era uma criança desinibida, notava-se o à-vontade que tinha com os pais portugueses e a confiança já conquistada, ainda que a comunicação entre eles fosse apenas por gestos.
A “mãe” dizia que ele tinha poucos hábitos de higiene: não lavava os dentes, comia peixe com as mãos, levantava-se da mesa enquanto o jantar ainda não tinha terminado. Eram atitudes normais na sua casa na Ucrânia.
Na outra família estava inserida Viktoria, uma menina loirinha, olho azul, com manchas de pele visíveis no braço, consequência de Chernobyl, com cara fechada e sobrancelhas quase sempre franzidas que denunciavam alguma revolta.
Lá, a mãe é alcoólica, o pai e o tio morreram no ano passado, os irmãos mais velhos não se preocupam com nada e é ela que tem de cuidar da casa, da horta e da irmã bebé. Com enorme gosto pela escola, as obrigações domésticas impedem esta menina de 8anos de estudar.
Esta foi a história que mais me comoveu. Contada por um “pai”, o português, cujos olhos brilhavam quando falava dela e que disse querer adoptá-la definitivamente.
Disse que era a filha que não teve, que a amava, que queria educá-la e dar-lhe a vida feliz que não tem.
Já tinha ido à Ucrânia tentar trazê-la para Portugal, sem sucesso. Prometeu que este ano voltaria para que ela viesse passar o Natal.
Chorou quando se despediram.
Enfim, tudo isto para dizer que há trabalhos e histórias que marcam.
Não bastava serem crianças, como tinham também de carregar uma história de vida incapaz de deixar indiferente.
Se há trabalhos que são um frete e que não me dão inspiração para escrever sequer uma linha, pois este encheu-me, ou melhor, preencheu-me.
Foram 4 horas de reportagem no Jardim Zoológico, numa tarde de domingo de Agosto, um calor insuportável, andar o tempo todo com o tripé da câmara de filmar às costas, tinha entrado as 11:00 e saí às 22:00.
Em qualquer outra situação isto era capaz de me enfurecer com infindáveis palavrões, mas ali, naquele dia, com aquelas crianças, aqueles pais de coração, aquelas histórias, as lágrimas e os sorrisos, fiquei…assim.
A todos os que ambicionam esta profissão e não sabem dizer a razão, pois bem, poder "viver" e contar histórias destas, é a minha.

O vídeo que editei e texto que escrevi:
http://videos.sapo.cv/78sOts1KFC66VWYzHwQi
http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1958131&page=-1

O JN não assinou como “Lusa” a reportagem que escrevi, coisa que, aliás, já vem sendo habitual. Talvez seja assunto para aqui falar/escrever um dia destes.

MDM

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Abaixo o acordo!

Ora bem, hoje tive a chata, mas já expectável, notícia na redacção que íamos adoPtar o novo acordo ortográfico para o site do programa, que é a parte escrita mais vísivel aqui do sítio.

Embora já estivesse à espera, visto haver um prazo para se tornar regra geral, desejei, aqui para mim, que isso ainda demorasse muito tempo. Não por querer ficar agarrada ao passado ou por ser saudosista (que sou), mas porque NÃO CONCORDO! Não concordo, nem irei concordar tão cedo...provavelmente até me habituar (o que vai demorar 7 vidas). Que sentido tem tirar os P's e os C's do meio das palavras? E os hífens? Para além de confuso fica feio e sinto-me abrasileirada no meu próprio país.

Sem contar que o meu Word também não está para essas brincadeiras e se me aventurar a ser moderninha com ele, manda-me uns riscos vermelhos nas palavras, o que me enerva como se não houvesse amanhã e isto assim não há condições para trabalhar...

Tenho amigas que, por trabalharam em imprensa, já tiveram que o adoPtar há muito tempo e estão tão habituadas que até sms conforme o acordo, mandam. Detesto.

Mas vá...o que se pode fazer? Aceitar, é o que me resta. Aqui já se imprimiu um documento de várias páginas com as regras...mas eu recuso-me a pegar nele. Até daqui a uns dias, pois a partir de 1 de Outubro tenho que ter as novas regras de escrita decoradas e infiltradas em mim e no meu cérebro jornalístico. E chateia-me.

Afinal isto serve para quê? Para facilitar a vida de quem sempre teve dúvidas se punha um P antes do T aqui, um acento ali ou um hífen acolá? Haja paciência...ou "passienssia"...eu sei lá o que lhes passa pela cabeça...


SB

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

31 de Agosto de 2011

É esta a data em que recebi uma das melhores notícias dos últimos tempos. Está um dia chuvoso, frio e deprimente... Mas eu estou feliz e vou partilhar aqui neste espaço o porquê: Vou ficar a trabalhar no sítio onde estou a estagiar, a fazer mesmo o que gosto, na área que mais me fascina, a televisão!

Vou comemorar!

E prometo mais posts com todos os pormenores das reportagens mais giras (ou estranhas) que fizer!



SB

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Forgive?!

Muitas vezes dou por mim a pensar se terá valido a pena, se foi verdadeiro ou se apenas fui tão cega que não vi o óbvio. Sinceramente ainda não sei a resposta e acho que enquanto a raiva não passar não irei saber.

Passamos a vida a dar tudo a quem não devemos, quando os nossos verdadeiros amigos estão mesmo ali ao lado, a dar-nos aquilo que precisamos sem pedirem nada em troca. É bom reconhecer isso, ainda que tarde!

No entanto às vezes pergunto-me: até que ponto podemos perdoar?


P.S. Obrigada por tudo às que sabem quem são!

P.S.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Parabéns M.

Muitos parabéns à M!

Foi uma meia noite em grande com a S, R e P. Faltou a C.


Love to you



terça-feira, 16 de agosto de 2011

Chamam-lhe sorte

Sorte. O dicionário diz que é a combinação de circunstâncias ou acontecimentos que influem de forma inelutável.
A sorte, aquela estrelinha que todos temos. Uns apercebem-se, outros não. Aparece várias vezes, sem que a contabilizemos ou a memorizemos e, por isso, às vezes passa despercebida.
Em algum momento na vida já dissemos “que sorte”, “que sortuda”, acompanhada de uma expressão de alívio ou de felicidade, seja em situações banais ou em momentos decisivos.
A culpa nunca morre solteira, então e a sorte vem sempre sozinha? Quero com isto dizer o seguinte: a sorte é apenas sorte ou não existe sem uma participação nossa?
Bem, vou recuar cerca de dois anos, para a altura em que comecei a trabalhar.
Terminei o curso em setembro de 2008. Lembro-me do dia em que apresentei a minha tese de licenciatura, do momento em que recebi a nota e do dia seguinte, em que pensei, então e agora, o que é que eu faço?
Não me dei tempo para férias. Pus mãos à obra, que é como quem diz, fazer o currículo e mandar para tudo quanto era órgão de comunicação social.
SIC, RTP, Media Capital, agência Lusa, Expresso, grupo Impala, etc. A todos os recursos humanos lá deve ter chegado a minha carta de apresentação e o currículo em anexo.
O “carga de trabalhos” já fazia parte da minha rotina cibernáutica e cheguei a candidatar-me a propostas de trabalho em Madrid.
Apenas a SIC respondeu, educadamente, a dizer que não precisavam de ninguém.
Dias depois telefonaram-me da agência Lusa a perguntar se estava interessada num estágio, de 3 meses não remunerado, apenas com subsídio de alimentação e transportes.
O “sim” foi imediato. Segunda-feira seguinte, em janeiro, lá estava eu, mais cerca de dez colegas, maioria de Lisboa, mais alguns do Porto e Aveiro.
Primeira semana foi de conhecimento. O editor de cada secção falou-nos do trabalho de cada área. O diretor deu-nos as boas vindas com um sabor amargo já que garantiu que “ninguém fica empregado na Lusa diretamente depois do estágio”.
Indecisa entre a editoria de Desporto, Política e País, comecei por excluir o Desporto [deixei que dois colegas disputassem o cargo], depois a Política [só havia uma vaga e outra colega fazia mesmo questão] e lutei por um lugar no País. Havia duas vagas e três candidatos. Tirámos à sorte com bilhetes com os nossos nomes. Um dos escolhidos foi o meu.
A cerca de um mês de terminar o estágio começou a chegar-me aos ouvidos elogios ao meu trabalho, palavras de motivação e outros tantos “talvez fiques”.
Pessimista por defeito, não liguei muito aos rumores, embora ficasse sempre aquele friozinho na barriga do “e se for verdade?”.
Não me encostei aos “ses” e continuei o meu trabalho, o melhor que pude, com mais rigor e mais exigente, por isso, a cada erro, cada crítica, a desilusão era maior.
No entanto, os tais rumores vieram a confirmar-se e a pouco tempo de terminar o estágio eis que surgiu a tão desejada proposta: “apareceu uma vaga na Linha e como moras em Cascais queremos que fiques a cobrir essa zona”.
Parece que ainda estou a sentir aquela excitação e ansiedade de começar, a 01 de maio de 2009.
Na altura chamaram-lhe sorte, e foi, mas quero em mim acreditar que a sorte fez-se acompanhar do meu trabalho, esforço e dedicação.
Ainda hoje estou na agência Lusa, mais atenta às notícias da Linha (Cascais e Oeiras). Trabalho para qualquer editoria, embora pertença à secção de País. Muitas vezes faço trabalhos em Lisboa e sou sujeita a piquetes da noite ou fins-de-semana, a qualquer hora. Quase não me nego a nenhum.
Consigo gerir o meu horário, não tenho de trabalhar das nove às cinco, posso propor reportagens, consigo escrever sem limite de palavras e enviar os textos em esplanadas ou em casa.
Chamam-lhe sorte. Eu também, mas acrescento e sem presunção: Sorte merecida.

MDM.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Vitalis: os bastidores e a fábrica


Já alguém viu na SIC a promo com a Claudia Vieira a pedir aos portugueses que apoiem a causa solidária da Água Vitalis em parceria com a SIC Esperança? Se não viram ainda, estejam atentos.

A Sic Esperança e a Vitalis juntaram-se para ajudar o regresso às aulas de famílias carenciadas. Por cada garrafa de água Vitalis comprada de Julho a Agosto, uma percentagem reverterá para a atribuição de bolsas escolares a crianças e jovens com menos possibilidades.

Ora, era mais ou menos este o discurso que a actriz/apresentadora da SIC tinha que decorar para a câmera.

Acho sempre um piadão em ir aos sets onde são gravados os spots publicitários. Ver o outro lado. Ver como tudo é organizado, pensado, produzido, filmado. É muito diferente do que depois se vê nos intervalos dos programas, acreditem.

Mas este não era um grande making of. Era apenas uma promoção gravada pela SIC, com duas câmeras, uma produtora e mais uns quantos nomes técnicos ali.

O local escolhidos foi o Museu do Traje, no Lumiar...no seu lindo jardim, onde eu em tempos fui numa visita de estudo. Tive ali uns 2 minutos de nostalgia. 

Um spot de 30 segundos e outro de 45 segundos. Claudia Vieira em pé com um lago atrás. Claudia Vieira sentada à beira de outro laguinho. Com 2 figurantes sentados atrás dela e duas criancinhas que passavam por trás com material escolar....era este o cenário.





Algumas repetições do texto para ter certeza que ficava bem, sem enganos e todos os elementos no tempo e posição certa. E já está. Pronto para editar e começar a passar nos ecrãs nacionais.



Como gostamos sempre de saber mais e meter o 'bedelho' nas profundezas e segredos das marcas, fui à fábrica onde é engarrafada a água... Lá para trás do sol posto. Sabem onde é Envendos? E Ladeira de Envendos? Pois, eu também não sabia, mas fiquei a conhecer.
Aliás, o trabalho jornalístico tem destas coisas boas...conhecer muitos sítios, muita gente, muitas coisas interessantes que dentro de quatro paredes só se conhecem pela Internet.






Todas as máquinas estavam interligadas. Para a sala de enchimento tínhamos que entrar com batas.
É posta a rolha, depois o rótulo, e finalmente são agrupadas em packs.
Gosto sempre de ir às fábricas ver todo o processo....é realmente uma experiência enriquecedora.

Deixo aqui um cheirinho:



SB

O novo sabor das férias

Aqui estou eu quase quase de partida para as minhas primeiras (e merecidas) férias enquanto trabalhadora, e deixem-me que vos diga que nunca tiveram um sabor tão especial.


E muitas vezes ponho-me a pensar que algo que antes era dado como adquirido agora é uma verdadeira conquista!


Na verdade são apenas umas folgas, mas só o facto de dizer a palavra férias causa toda uma alteração em mim... Quem, como eu, trabalha compreende na perfeição o sentido destas palavras!


E hoje vou rumo ao sw e depois na próxima semana esperam-me uns dias de puro relax pelos algarves!


Para todos os que ficam, a minha força está com vocês! Para todos os que vão (como a M. que está no paraíso) APROVEITEM!



Repeat after me: I am free!!!!



Hasta la vista baby's! Depois conto novidades do sudoeste!

P.S.